3.4.13

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Foram exatos 130 posts em quase três anos de Oblogblack, muito som em streaming, a nata do groove com shows, clipes e documentários, mixtapes com os destaques do blog e - como prometido lá no header - o fino do jazz, rock, blues e afrobeat.

Desde a primeira dica com o new-funk do Hypnotic Brass Ensemble, os beats do Kokolo e o chorinho de Zé da Velha e Silvério Pontes, até a despedida com o raríssimo 'Native Brazilian Music', o reencontro do Led e um miniguia sobre repercussão da Guerra no Mali, o blog funcionou sempre a todo vapor com posts semanais e depois atualização também via Amplificador do Globo. Agora, chegou a hora de transformar Oblogblack em arquivo com todos os textos, playlists, dicas e fontes sempre disponíveis para quem gosta de descobrir boa música. 


Para fechar, mas abrindo novos caminhos, seguem abaixo os três posts mais lidos. A marca Oblogblack com clássicos e novidades continua agora na [RádioTrilha], novo projeto de criação de playlists online para identidade musical de bares, restaurantes, lojas e consultórios. Conheça, veja como contratar e indique. Bons sons. 

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Tim Maia - Nobody Can Live Forever: The Existential Soul of Tim Maia (2012)

Gravadora do ex-Talking Heads David Byrne, a Luaka Bop levou quase uma década negociando com herdeiros de Tim Maia até conseguir lançar 'Nobody Can Live Forever: The Existential Soul of Tim Maia', maior coletânea do nosso incomparável grooveman para o mercado americano. Em entrevista recente à Rolling Stone, Nelson Motta, autor da biografia sobre Tim, ‘Vale Tudo’, foi direto e esclarecedor ao falar sobre a difícil relação do 'Síndico' com executivos da música.

"Como tudo em Tim Maia, a administração de seu acervo e o relançamento de seus discos é um caos. Ele tem mais de 100 processos judiciais rolando, contra e a favor. Entre eles, diversos com gravadoras que lançaram originalmente seus discos. Como ele morreu em 1998, todos os relançamentos têm que ser autorizados pelo seu herdeiro, Carmelo Maia, e pelo advogado, e cada um envolve uma longa negociação. Um dos melhores discos dele, ‘Nuvens’, de 1982, jamais foi relançado".

Com faixas em português e inglês - várias da fase Racional - a coletânea da Luaka Bop chegou a ser anunciada em 2007, mas o lançamento foi adiado quando sites e revistas já tinham resenhas prontas. Em 2012, as negociações finalmente foram adiante e 'Nobody Can Live Forever' chegou às lojas em setembro como parte das comemorações pelos 70 anos de nascimento de Tim. Para divulgar o álbum, a gravadora organizou no dia 28 festas em vários estados dos EUA (por aqui, o evento aconteceu em BH) com Dom Maia tocando direto nas pickups. Apesar de ter morado nos EUA (e deportado, por posse de maconha), Tim Maia nunca chegou a ter sua obra reconhecida no mercado americano. Recentemente, a Rolling Stone local o comparou a Sly Stone. Para alguns, até pouco... Ouça abaixo as 15 faixas do disco, abrindo com 'Que Beleza'. Pode aumentar que a sequência é groove na veia.


 World Psychedelic Classics 4: Nobody Can Live Forever: The Existential Soul of Tim Maia by Luaka Bop


An Introduction to Tim Maia from Luaka Bop on Vimeo.



African Pearls - Mali 70: Electric Mali (2006)

Chamado de 'Quincy Jones' da África, Ibrahim Sylla é talvez o maior produtor de músicos e orquestras africanas dos últimos 30 anos. Tem parcerias com praticamente todos os grandes nomes do continente, de Alpha Blondy a Miriam Makeba, de Oumou Sangaré e Baaba Maal a Salif Keita e Youssou N’Dour. Sua gravadora, a Syllart, participou do lançamento da maior parte dos álbuns de 'world music' dos anos 80 e 90, fazendo a dificílima e fundamental ponte com o mercado europeu. O duplo 'Electric Mali' faz parte da série de onze discos 'African Pearls', com as principais bandas, hits e raridades dos anos 50, 60 e 70 da costa oeste. Quase todos os grupos escolhidos por Sylla são pouco badalados fora da África, mas de trajetória consistente. Perfeito para conhecer outros músicos do Mali além dos mais conhecidos como Amadou e Mariam, Ali Farka Touré, Toumani Diabaté e os próprios Salif Keita e Oumou Sangaré. Para ouvir com calma, anotar e correr atrás de mais álbuns de orquestras como Régional du Mopti, Le Super Biton National de Ségou e Les Ambassadeurs du Motel de Bamako. Clique para ver lista completa de faixas e todos os discos com sons do Congo, Senegal, Guiné e Costa do Marfim. Tesouro para quem gosta de música africana e quer ir fundo nas pesquisas. 



Rendezvouz 8:02 – Gare Du Nord (2012)

Depois da sensacional trilha de ‘Pulp Ficton’ (1995), todos os novos longas de Quentin Tarantino são esperados avidamente também por quem gosta de música. Talentosíssimo no garimpo de grooves perdidos dos anos 60 e 70, o diretor é daqueles que pesquisam fundo em busca do melhor clima para as cenas. Seu próximo filme, ’Django Unchained’, tem lançamento previsto para 25 de dezembro, mas algumas músicas já são conhecidas, e duas delas são dos holandeses do Gare Du Nord. O projeto criado em 2001 pelos produtores Barend Fransen e Ferdi Lance começou despretensioso, para sonorizar desfiles, lojas e eventos. A ideia era recriar clássicos do blues, jazz e soul de nomes como Robert Johnson, Miles Davis e Marvin Gaye. Mas logo no primeiro disco, 'In search of Excellounge', de 2001, a dupla já chegou fazendo barulho entre DJs, pesquisadores e também diretores de cinema e TV. Faixas do disco de estreia, e também do segundo álbum, 'Kind Of Cool', entraram para trilha do seriado 'Six Feet Under' e do filme 'Ghost Rider. A dupla virou hit e acabou fechando com a própria Blue Note. As músicas escolhidas para 'Django Unchained' são do último disco do Gare Du Nord, o excelente 'Rendezvouz 8:02'. E as duas são pérolas que comprovam o faro apurado de Tarantino. Outro destaque na trajetória dos holandeses é o álbum ‘Greatest Hits’,de 2010, com mixagens de alguns dos músicos preferidos do blog, como Donald Byrd e Bobby Hutcherson.


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>> playlist 


   

Orquestra Afro-Brasileira - Obaluayê! (1957) 

Que tal descobrir que você tem um parente próximo vivendo em um outro país? É mais ou menos essa a sensação ao ouvir pela primeira vez a Orquestra Afro-Brasileira e comprovar que estão lá as mesmas raízes, influências e groove do afrobeat de Fela Kuti. Impossível não ver semelhanças entre músicas do combo do mineiro de Abigail Cecilio de Moura (1905-1970) com os petardos do nigeriano e seu Africa 70 ou Egypt 80. Tire a prova na playlist com sete música da orquestra ou vá direto no vídeo abaixo e comprove como 'Liberdade' tem todo o DNA de 'Shenshema'. Raridade em sebos, o disco de 1957 pode chegar a custar perto de mil reais no Mercado Livre. Para fãs de grooves africanos e colecionadores, vale muito! Criada em 1942, o combo de candomblé-jazz foi um dos pioneiros na mistura das batidas afro com instrumentos como piano, sax e trombone em passeios que iam do frevo e jongo a temas de folclore e cânticos de umbanda. 

Pesquisador, Abigail incorporou ainda instrumentos de percussão até então pouco usados em orquestras como agogô, adejá, urucungo, atabaques e angona-puíta. Lista de músicos da orquestra é extensa e já dá o clima de mistura total entre África, Brasil e jazz: Genny Pires (urucungo), José Pedro (angona-puíta), Joércio Soares (agogô), Antônio Cruz (gonguê), Oswaldino Lucas (rum), Carlos Negreiros (rumpi), Cândido Santos (lê), Valmir Rosa (afoxê), Djalma da Paixão (adjá); Horácio Soares (sax alto, clarineta), Carmélio Alves (sax tenor, clarineta), João Amâncio (sax alto, clarineta), Álvaro Nascimento (sax tenor, clarineta), Ananias da Silva (trumpete), Gamaliel da Silva (trumpete), Jaime da Silva (trumpete), Alfredo Alves (trombone) e Milton Profeta (trombone). Discaço para ficar de olho sempre nas buscas por sebos. Playlist tem cinco faixas abrindo com 'Apresentação' + 'Rei Nagô chegou'.




Jimmy Smith – Just Friends (1972) + Jimmy Smith's House Party (1958)

Depois de investir em uma vitrola zerada voltei a frequentar sebos em busca de raridades e sempre me impressiono com a quantidade de discos clássicos ainda obscuros. ‘Just Friends’, de Jimmy Smith, foi uma das últimas aquisições e mostra como uma boa garimpada pode render. Gênio do teclado Hammond, Smith participou de vários projetos coletivos ao lado de grandes músicos do jazz e funk. Mas os seus ‘Just Friends’ desse vinil de 1972 me surpreenderam, uma super seleção com alguns dos meus jazzistas preferidos. Sente o drama: no trompete, Lee Morgan; no sax, Lou Donaldson e na bateria o grande band-leader Art Blakey; e ainda: Curtis Fuller no trombone, Tina Brooks no sax tenor; George Coleman no sax alto; e fechando um dos meus guitarristas preferidos: Kenny Burrell. Me convenceu na hora! São apenas quatro músicas com cerca de 20 mimutos de jazz de cada lado e solos inspiradíssimos entrando em uma sequência matadora. 

Descobri depois na pesquisa para o post que o vinil é na verdade um relançamento de uma sessão gravada em NY, em 1958, para o disco ‘Jimmy Smith´s House Party’, da Blue Note. Se achar um ou outro, leve na hora! Abaixo, Jimmy Smith ao vivo em 1967 com Charlie McFadden, outro dos seus 'just friends', na guitarra. Hard-bop e souljazz de primeira.




Areia e Grupo de Música Aberta - Para Perdedores (2011)

Recife não cansa de surpreender com discos inspiradíssimos que muitas vezes não conseguem furar o bloqueio mainstream. ‘Para Perdedores', de 2011, é o segundo álbum solo do baixista do Mundo Livre S/A, Areia, também músico em trilhas famosas de cinema como ‘Amarelo Manga’, ‘Narradores de Javé’, ‘Árido Movie’ e ‘Baixio das Bestas’, e parceiro de nomes consagrados em discos de Alceu Valença, DJ Dolores, Arto Lindsay e Naná Vasconcelos. Após hiato de dez anos sem lançar trabalho solo, Areia voltou ao lado do Grupo de Música Aberta formado pelo saxofonista Ivan do Espírito Santo (Orquestra Contemporânea de Olinda), o acordeonista Julio Cesar (Arabiando) e o baterista Cássio Cunha (Alceu Valença e Duna). O nome Música Aberta vem do conceito de improvisação cíclica feita em cima de temas como o dos repentistas e cantadores de poesia popular do Nordeste. São ao todo quatro músicas gravadas em apenas uma noite no estúdio Muzak, em Recife. Estão lá o Nordeste, todas as raízes onde foram beber o próprio Mundo Livre, mas também a complexidade e sofisticação do jazz. O nome ‘Para Perdedores’ é uma homenagem aos que 'andam na contramão da sociedade competitiva', diz Areia no encarte. Faça download do disco no site do projeto. Pode mergulhar no som que a viagem é profunda. 

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Mixtape_oblogblack-groove_funky_africa by Mmonteiro on Mixcloud




Mixtape para ferver a pista com sons africanos, groove brasileiro com toques de samba, dub e rock, fechando na classe com pedradas do blues e funky. Saca a lista abaixo: começa em NY com Budos Band, vai direto para África enfileirando El Rego, Tony Allen, Smod, Moussa Doumbia e Poly-Rythmo; passa por SP, com Criolo, Céu e Lucas Santtana, depois Pernambuco, com BiD e Junio Barreto; e faz paradas finais na Inglaterra, EUA e Jamaica. Aperta lá o play e aumenta que vem sonzeira.

01 > Budos Band - Budos Rising 
02 > El Rego Et Ses Commandos - Djobimé
03 > Tony Allen and His Afro Messengers - No Discrimination
04 > Smod - Ca Chante
05 > Moussa Doumbia - Keleya
06 > Poly-Rythmo - Se Tche We Djo Mon
07 > Criolo - Mariô
08 > Junio Barreto - Se vê que vai cair deita de vez
09 > BID e Chico Science - Roda Rodete Rodeano
10 > Lucas Santtana - Who can say which way
11 > Céu - You Won't Regret It
12 > Toots and The Maytals - Funky Kingston
13 > Rolling Stones - Let It Bleed
14 > JJ Cale e Eric Clapton - It's Easy
15 > Nina Simone - The Pusher
16 > Betty Davis - Nasty Gal
17 > Tim Maia - O Balanço
18 > Jam da Silva - Samba Devagar
19 > Trombone Shorty - Horn Jam

1.4.13

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Carlinhos Zodi mistura MPB e reggae com lendas jamaicanas no Tuff Gong (Oblogblack no Amplificador do Globo)

Vida de músico independente é dureza, ralação pura, às vezes não basta só um disco bem produzido, convidados de peso, tem que ter sorte e acima de tudo contar com uma certa conspiração de coincidências para fazer barulho na grande mídia. Como explicar então um álbum que mistura poeticamente MPB com reggae, tem participações de lendas jamaicanas como Leroy Sibbles, do Heptones, Toots Hibbert, o Mr. Kingston líder do Toots & The Maytals, e finalizado no clássico Tuff Gong, ainda não ter conseguido furar o bloqueio mainstream?

Cheguei ao álbum ‘Kingston Bossa’ por um vídeo que circula por blogs e Facebook mostrando os bastidores da gravação, primeiro em SP e depois na Jamaica. Por trás das doze faixas do álbum, o músico, compositor e videomaker paulistano Carlinhos Zodi e o produtor Gustah Echosound. Criador da série ‘Pela Rua’ (que mostra picos de skate pelo país) e atualmente trabalhando em um reality com Bob Burnquist, ambos do canal OFF, Zodi leva em paralelo a carreira de músico, chegando ao seu terceiro álbum, o segundo em que ele toca todos os instrumentos (no segundo, teve participação de Marcelo D2).



'Kingston Bossa' levou um mês para ser feito em um surpreendente processo quase artesanal de gravação com todos os detalhes sendo produzidos e costurados por Zodi e Gustah em um estúdio de SP.

- Eu tinha um mês de férias, comentei com o Gustah, mostrei algumas músicas, ele topou e fomos para o estúdio dele. Gravamos praticamente todos os dias, cercados de instrumentos, mesa de som, experimentando melodias, testando, foi tudo muito intenso, cansativo, mas sublime, no final era uma sensação de euforia e êxtase, explica Zodi, no vídeo com todos os detalhes da gravação (veja abaixo). Quando sentimos que o caldo estava engrossando, começamos a pensar em ir para Jamaica gravar algumas participações e masterizar o disco no Tuff Gong, estúdio do Bob Marley, de onde saiu grande parte da sua obra e dos seus filhos. Claro que era só uma idéia, masss... Quando em uma das sessions de mix o nome surgiu com o Mauricio Cersosimo, daí não teve jeito. Um disco que se chamaria ‘Kingston Bossa’ TINHA que finalizar na Jamaica.

E assim foi. Com participações altamente especiais de Leroy Sibbles e Toots (quem gosta de reggae, sabe, duas lendas na Jamaica). Veja abaixo os vídeos que contam o caminho de Zodi e Gustah até ‘Kingston Bossa’, fechando com o primeiro clipe, 'Luz e Som'. Altamente recomendado.



Se ‘Kingston Bossa’ ainda não atingiu o grau de reconhecimento que merecia do grande público e até entre os fãs do reggae de todo país, a gente aqui no Amplificador dá nossa contribuição para divulgar o álbum que aos poucos vai ganhando espaço. Na semana passada, por exemplo, Zodi escreveu no Facebook o seguinte post: “Não entendi nada, mas, #1, I'm number 1 on the ReverbNation Reggae charts for Brazil, SP”.

É, Kingston Bossa vai subindo porque merece. Tem groove, qualidade, Leroy, Toots, Tuff Gong e o talento de Zodi e Gustah. E Zodi, só atualizando... Kingston Bossa agora é #1 no Reverbnation Reggae Charts para todo o Brasil (com o tradicional Maskavo em segundo). Abaixo, o trajeto do disco, da ideia à gravação e o primeiro clipe.


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